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  • O Papel das Influências e Fatores Externos   
  • 2010-01-24 21:41:16  
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  • O Papel das Influências e Fatores Externos

    Explicar a Mensagem através da Revelação ao invés de através dos fatores e circunstâncias concretas que operaram em sua história e desenvolvimento não significa que devemos ignorar tais elementos. Na verdade, conforme as leis universais e sociais gerais, tais fatores e circunstâncias exerceram grande influência, não no conteúdo da Mensagem, porém, sobre os eventos que lhe acompanharam e que podiam afetar as condições de seu êxito. A Mensagem é uma verdade divina que se coloca acima das condições e circunstâncias materiais. Porém, uma vez transformada em um movimento de ação contínua em vistas a uma mudança, é possível que tenha de subordinar-se ou relacionar-se com as circunstâncias que envolvem ao que é material. Por exemplo: podemos supor que o que levou a um indivíduo árabe a procurar por uma nova mensagem foi o sentimento de estar isolado em uma sociedade problemática. Podemos supor que o sentimento dos indivíduos batalhadores menos afortunados da sociedade árabe, que estava sob o julgo da opressão e da injustiça, nas mãos de usurpadores e exploradores, compeliu estes indivíduos a apoiar um novo movimento que levantava a bandeira da justiça e do combate à usura. E igualmente, podemos supor que os sentimentos tribais tiveram um papel importante na vida da Mensagem, seja no nível das lutas e rivalidades locais entre os diferentes clãs, o que teve um efeito benéfico ao assegurar a Mohammad imunidade e prestígio, seja em um nível nacionalista, encarnado através dos sentimentos dos árabes do sul da península árabe para com os do norte da mesma.

    As circunstâncias de um mundo em colapso e as duras condições pelas quais passavam duas grandes potências, a saber, os bizantinos e os persas, os mantiveram preocupados com seus problemas particulares, e fez com que não interviessem rapidamente e de forma decidida com o intuito de abortar o novo movimento que surgia na península arábica.  Todas estas situações devem ser analisadas e admitidas de forma racional. Tais particularidades afetaram os eventos, mas não a Mensagem em si.

    Terceira Parte – A Mensagem (Arresala)

    Quanto à mensagem, ela é o Islam, a religião divina que Deus enviou ao Profeta como uma graça aos mundos. O principal propósito do Islam é estabelecer um relacionamento entre o homem e o seu Senhor, este mesmo homem que irá retornar para Deus no Dia do Juízo. No que concerne ao primeiro ponto, o Islam liga o homem com o Deus Único, o Verdadeiro, para onde a natureza inata do Homem se inclina, assinalando e confirmando a Unicidade de Deus, o Verdadeiro, com o fim de extirpar todas as classes de divindades artificiais; de forma que a expressão de unicidade “Não há nenhuma divindade senão Deus”se tornou seu principal slogan.

    Desde que a profecia é o único ponto de mediação direta entre a criatura e o Criador; seu testemunho da Unicidade de Deus, o Criador, e seu ponto de união com o Deus Único, o Verdadeiro, ela pode ser considerada uma base suficientemente forte da prova da Unicidade Divina. Quanto ao segundo ponto, a relação entre o Homem e o Dia do Juízo, o Islam expressa que aperfeiçoar essa relação é única fórmula capaz de eliminar a contradição da vida humana e buscar a Justiça Divina, como já vimos anteriormente. A Mensagem Islâmica se distingue, por seus traços particulares, de todas as outras mensagens divinas e suas características, o que faz dela um acontecimento ímpar na história. Na continuação, mencionamos algumas de suas qualidade e características:

    1) Esta mensagem tem permanecido intacta em relação ao texto alcorânico, e jamais foi objeto de alterações, no entanto, os outros livros anteriores foram alterados no que se refere aos seus conteúdos. Deus revelou o seguinte sobre o assunto:

    يقول تعالی في سورة الحجر آية 9

    ] إِنَّا نَحْنُ نَزَّلْنَا الذِّكْرَ وَإِنَّا لَهُ لَحَافِظُونَ [

    “Nós revelamos a Mensagem e somos o seu Preservador”(Alcorão, C.15 – V.9)

    Foi a conservação do seu conteúdo religioso e legislativo que permitiu que a Mensagem pudesse prosseguir com seu papel socialmente educativo.

    Uma mensagem que se torna vazia através do desvio e da alteração não pode ser um laço entre o Homem e seu Senhor; pois tal laço não pode ser encontrado e mantido através de uma simples união nominal; é necessário que o conteúdo da Mensagem seja encarnado, plenamente vivido,  nos planos intelectual e comportamental. Devido a isto, a Mensagem Islâmica tem sido protegida pelo texto alcorânico, o que é uma condição necessária para que seja mantida a capacidade da Mensagem de perseguir seus objetivos.

    2) A preservação do Alcorão, tanto de seu texto quanto de seu espírito, significa que a profecia de Mohammad não perdeu seu mais precioso argumento na prova de sua validade. Isto por que o Alcorão em si contém os fundamentos da Mensagem e suas Leis Sagradas, o que funciona como um prova indutiva, o que está de acordo com os nossos argumentos anteriores. Essa prova permanecerá sendo válida enquanto o Alcorão existir

    As missões proféticas cuja prova está ligada aos acontecimentos ocorridos em um determinado momento histórico, momento este que rapidamente se vai, tais como a cura do mudo e do leproso, são dificilmente comprovadas; pois tais acontecimentos foram testemunhados por poucas pessoas e não foram ou são conhecidos por outros além dos que lá estavam presentes, e uma vez que estas testemunhas desaparecem com o passar do tempo e com a acumulação dos séculos, será difícil verificá-los de uma forma concludente através da pesquisa e investigação. Deus não iria obrigar o Homem a crer em uma profecia que fosse dificilmente comprovada historicamente, nem a buscar um meio de comprová-la. Isto porque Ele não pede ao Homem que faça aquilo que esteja além de suas possibilidades.

    يقول تعالی في سورة الطلاق آية 7

    ] ... لَا يُكَلِّفُ اللَّهُ نَفْسًا إِلَّا مَا آتَاهَا سَيَجْعَلُ اللَّهُ بَعْدَ عُسْرٍ يُسْرًا [

    “... Deus não impõe a ninguém obrigação superior ao que lhe concedeu...”(Alcorão, C. 65 – V.7)

    Se hoje acreditamos nos profetas anteriores a Mohammad e em seus milagres, isso se deve ao fato de que através do Alcorão temos as provas da existência e dos feitos deles.

    3) Acabamos de mostrar que o passar do tempo não destrói a prova fundamental da Mensagem Islâmica. Na verdade, o passar do tempo assinala a esta prova novas dimensões, através da evolução do ser humano e da tendência do Homem em estudar o Universo através de métodos científicos de pesquisa. Certamente, o Alcorão tem se adiantado frente à ciência moderna neste assunto, por que ele ligou seu argumento de comprovação da existência do Criador ao estudo do Universo e ao aprofundamento a cerca de seus fenômenos, atraindo a atenção do Homem aos desvendar de segredos e às vantagens que este estudo pode proporcionar-lhe. Até mesmo o Homem moderno pode descobrir dentro deste livro, que foi proclamado por um analfabeto em um meio anti-islâmico e ignorante há centenas de anos atrás, detalhes claros sobre assuntos que a ciência moderna só hoje veio a descobrir. Sobre este ponto, o orientalista inglês A. J. Arberry, professor de língua árabe em Oxford, declarou a seguinte sentença quando a ciência moderna descobriu detalhes sobre o papel do vento na fertilização das plantas: “Os nômades sabiam que o vento fecundava as árvores e os frutos séculos antes da ciência da Europa descobrir este fato”.

    Deus faz alusão a isto no seguinte versículo:

    يقول تعالی في سورة الحجر آية 22

    ] وَأَرْسَلْنَا الرِّيَاحَ لَوَاقِحَ فَأَنزَلْنَا مِنَ السَّمَاء مَاء
    فَأَسْقَيْنَاكُمُوهُ وَمَا أَنتُمْ لَهُ بِخَازِنِينَ [

    “E enviamos os ventos fecundantes e, então, fazemos descer água do céu, da qual vos damos de beber e que não podeis armazenar (por muito tempo).”(Alcorão, C.15 – V.22)

    4) Esta Mensagem engloba todos os aspectos da vida. Porque pode equilibrá-los, unificar suas bases e reunir através de uma fórmula completa: a mesquita, a universidade, a fábrica e a fazenda. Sendo dessa forma, o Homem não é mais obrigado a viver em um estado de divisão entre sua vida espiritual e sua vida material.

    5) Esta Mensagem é a única mensagem divina que foi aplicada pelo próprio mensageiro que a revelou, e no processo de aplicação da mesma, obteve um êxito deslumbrante ao poder transformar os slogansque proclamava em verdades da vida cotidiana das pessoas.

    6) À medida que a Mensagem entrava em seu estágio de implementação ela penetrava na história humana e contribuía para a sua formação. Ela foi a pedra inicial da operação de edificação da nação Islâmica. E, dado que esta Mensagem divina representa um dom oferecido por Deus, ela está acima da lógica dos fatores e influências perceptíveis, ou seja, a história desta nação está ligada a um fator metafísico e a uma base invisível que não se submete aos cálculos materialistas da História.

    É errôneo tratar de compreender nossa história no quadro dos fatores e das influências unicamente perceptíveis, ou considerá-la como o resultado das circunstâncias materiais ou da evolução das forças de produção. Pois tal visão materialista da História não se aplica a uma nação que tem construído sua existência baseando-se na Mensagem Divina. E se não consideramos esta Mensagem como uma verdade divina não podemos compreender sua história.

    7) A influência desta Mensagem não se limita apenas à tarefa de construir nossa nação. Na verdade, ela se estende muito mais além, a ponto de erguer-se como uma força influente no mundo inteiro, e isso, ao largo da história. Os pensadores sensatos da Europa reconhecem que a força cultural do Islam foi o primeiro incentivo para o despertar dos europeus, foi o que lhes tirou de suas trevas e lhes guiou para um novo caminho.

    8) O Profeta Mohammad, que revelou esta Mensagem, se distinguiu de todos os outros profetas que lhe precederam no que se refere à apresentação de sua Mensagem. Isto por que a sua mensagem foi a última tese divina; o que faz de sua profecia a conclusão de todas as profecias. A idéia de uma profecia concludente, o selo das profecias ou a profecia final, se apóia em dois argumentos: um “negativo”, que nega a possibilidade da aparição de uma nova profecia; e outro “positivo”, que afirma a continuação das profecias anteriores e a prolongação da profecia através dos tempos. É importante observar que o argumento “negativo” tem se mantido verdadeiro por quatorze séculos desde o surgimento do Islam, e irá se manter dessa forma até o infinito.

    O fato de que no decorrer da História nenhum outro profeta surgiu, não significa que a profecia perdeu seu papel como uma das fundações da civilização e da cultura humana. Na verdade, este fato se justifica pelo fato de que a profecia concludente assumiu a condição de herdeira de todas as mensagens proféticas anteriores, contendo todos os valores constantes na profecia como um todo, mas sem manter os valores circunstanciais que envolveram-na ao longo da evolução da história. Desse ponto surge uma Mensagem dominante, capaz de ser vitoriosa frente aos testes do tempo, evoluindo e renovando-se continuamente.

    يقول تعالی في سورة المائدة آية 48

    ] وَأَنزَلْنَا إِلَيْكَ الْكِتَابَ بِالْحَقِّ مُصَدِّقًا
    لِّمَا بَيْنَ يَدَيْهِ مِنَ الْكِتَابِ وَمُهَيْمِنًا عَلَيْهِ ... [

    “Em verdade, revelamos-te o Livro confirmador e preservador dos anteriores...”(Alcorão, C.5 – V.48).

    9) A sabedoria divina, que selou a profecia com Mohammad, conclui ser correto que se designem tutores para suceder este último profeta, com o fim de que eles se encarreguem dos assuntos concernentes à liderança espiritual (Imamato) e política (Califado) que surgiram após o falecimento do mesmo. Estes indivíduos são os Doze Imames, cujo número foi mencionado explicitamente pelo Profeta nas tradições (ahadith) que os muçulmanos aceitam como válidas. Eles são: Amir al-Muminin (Príncipe dos Fiéis), Ali Ibn Abi Talib, seguido de seus filhos Al-Hassan e Al-Hussein, este último seguido por nove de seus descendentes. Estes são sucessivamente: Ali Ibn Al-Hussein, ou Al-Sajjaad; Mohammad Ibn Ali, ou Al-Baqr; Jaafar Ibn Mohammad, ou Assadeq; Mussa Ibn Jaafar, ou Al-Kadhim; Ali Ibn Mussa, ou Al-Ridha; Mohammad Ibn Ali, ou Al-Jawad, Ali Ibn Mohammad, ou Al-Hadi; Al-Hassan Ibn Ali, ou Al-Askari; e Mohammad Ibn Al-Hassan, ou Al-Mahdi.

    10) Durante a ocultação do décimo segundo Imam, o Islam comanda aos fieis que recorram aos Doutores da Lei Islâmica, e dessa forma, abre as portas do Ijtihad, que significa realizar um esforço em vista a deduzir juízos legais a partir do Alcorão e da Sunnah(práticas do profeta)

     
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